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ZONA DE COMBATE
O assassinato do jornalista Tim Lopes
expôs para o Brasil o
poder paralelo dos tribunais de traficantes, que julgam, expulsam
e matam nos morros do Rio. Zero Hora entrou na área de
guerra e relata o desespero dos cariocas

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Os tribunais do tráfico
HUMBERTO
TREZZI
Enviado especial ao Rio
Se
o Brasil é uma democracia, falta informar isso aos traficantes
encastelados nas favelas cariocas. Os bandidos do Rio executam adúlteras,
esquartejam delatores, mutilam ladrões e decidem quando carteiros,
eletricitários e lixeiros podem entrar no morro.
A
Constituição Federal do Brasil, que veta todas essas práticas, é
letra morta (literalmente) para os tribunais do narcotráfico. Foi
um deles que decidiu, há duas semanas, o destino do repórter Tim
Lopes, da Rede Globo, torturado, queimado e esquartejado por
documentar com uma microcâmera de vídeo crimes que os traficantes
não queriam ver expostos.
Nos
júris improvisados pelos narcotraficantes cariocas não existem
advogados de defesa, apenas acusadores. Até porque defender o réu
é encarado como atitude suspeita. E a suspeita equivale à morte
nas favelas onde vigora a Lei do Cão – aquela do “manda quem
pode, obedece quem precisa”.
A
guerra chegou a tal ponto nos morros do Rio que repórteres da TV
Record, por exemplo, passaram a usar coletes à prova de balas. Zero
Hora esteve no Rio esta semana. Acompanhou policiais investigando em
morros, ouviu sobreviventes das batalhas diárias nas vilas e
escutou relatos sobre as cruéis regras que imperam nas 368
bocas-de-fumo mapeadas na cidade, que atingem quase 1 milhão de
cariocas favelados.
Ladrão
não tem perdão
A
tradição muçulmana de cortar a mão do ladrão ganhou uma versão
moderna nas favelas cariocas. O autor do furto é punido com tiros
nas mãos. Em abril de 2001, 10 jovens suspeitos de praticar
assaltos próximo ao Morro São Carlos foram espancados e baleados
nas mãos. Na Cidade de Deus, em janeiro de 2001, duas mulheres
acusadas de furtar num supermercado denunciaram à polícia terem
sido entregues pelos seguranças do estabelecimento aos traficantes
da favela. Tiveram sorte: foram espancadas, mas sem mutilações.
Traidor
esquartejado
O
esquartejamento (separar os membros e a cabeça do corpo) virou moda
entre os traficantes fluminenses. É reservado para suspeitos de
roubo cometido dentro da própria quadrilha. Em 2001, o traficante
Wagner Leal Fernandes, o Waguinho, foi condenado por um tribunal de
traficantes do Morro do Fubá, acusado de “dar um banho”
(calote) na quadrilha. O corpo foi encontrado no porta-malas de um
Monza. A cabeça foi apunhalada, cortada e colocada entre as pernas.
Em abril de 2002, Michel Fábio Rodrigues (dono de um ponto de
drogas em Copacabana) foi esquartejado por traficantes do morro Pavão-Pavãozinho.
Os seus membros foram colocados na porta de uma boate, no bairro.
Ele teria perturbado uma festa dos bandidos, além de não repassar
valores devidos.
Fogueiras
humanas
Ser
queimado vivo é um dos destinos possíveis para quem revela os
segredos das quadrilhas. Foi o que os traficantes da Vila Cruzeiro
reservaram para o repórter Tim Lopes, que gravou em vídeo o
poderio armado do bando. A vítima, geralmente, é imobilizada
dentro de pneus, modalidade de execução importada da África do
Sul, onde era reservada aos informantes da polícia nos tempos de
Apartheid. A técnica foi apelidada de “microondas” pelos
cariocas. Peritos criminais ouvidos por ZH dizem que é uma morte
lenta e dolorida. O torturado morre por asfixia, porque a
musculatura queimada comprime os pulmões.
Às
vezes, a queima é aplicada para delitos considerados menos graves.
Em julho de 2000, motorista Antônio Ferreira de Lima se negou a
entregar sua Kombi a traficantes do Morro do Adeus, que queriam
fazer um transporte de emergência. Os bandidos trancaram o
motorista no veículo e atearam fogo. A vítima sobreviveu, com
queimaduras gravíssimas.
Carrascos
humilham vítimas
A
maioria dos tribunais do tráfico não se contenta com a pena de
morte. Em vários casos, a vítima é humilhada antes ou até depois
de morrer, para servir de exemplo à comunidade. Há um mês, o
detetive Marcelo Gomes, da 58ª DP (Duque de Caxias), foi amarrado
por traficantes ligados a Jurandir, da Favela do Dique. Foi
espancado e obrigado a desfilar seminu em uma favela na Zona Norte,
antes de ser executado. Em 2000, um homem suspeito de trair a
quadrilha de Celsinho da Vila Vintém foi amarrado e apunhalado
dezenas de vezes, antes de morrer. Os punhais foram deixados no
corpo, abandonado no meio de uma rua, para dar o exemplo.
Os
carrascos também gostam de adotar apelidos que ajudam a espalhar o
terror. ZH entrevistou, há alguns anos, um pistoleiro ligado ao
narcotráfico na Baixada Fluminense, cujo apelido era Serginho da
Doze (referindo-se à espingarda calibre 12, com a qual executava as
vítimas). O jornal O Dia publicou entrevista com um carrasco
apelidado Paulinho Já Era – quando a vítima chega a se encontrar
com ele, já era.
Os
sentinelas das favelas
Ingressar
nas vielas de qualquer uma das 80 favelas cariocas sem convite é
pedir para se incomodar. Perigo redobrado, se a ousadia for cometida
à noite. Na terça-feira passada, Zero Hora subiu, num carro
locado, o Morro dos Macacos, em Vila Isabel (Zona Norte). Eram 16h
quando o primeiro morador avistado fez sinal para parar e perguntou
aonde o repórter ia.
–
Tá perdido, compadre? O que tá procurando aqui? – questionou o
jovem, com um celular junto à orelha.
A
segunda parada ocorreu na quadra seguinte, quando um rapaz com
radiocomunicador perguntou se éramos mesmo repórteres. No topo do
morro, meninos estouraram foguetes. Em outra ocasião, ZH esteve em
Vigário Geral e topou com a terceira linha de identificação do tráfico:
jovens armados com fuzis e pistolas revistaram os repórteres e
exigiram documentos. Na ausência de polícia, fazem o papel de
guardiões da favela.
Entrega
regida pelo tráfico
Carteiro,
técnico em telefonia, eletricitário e entregador de mercadorias no
Rio só sobem o morro com licença do tráfico. Quando há combates,
o morador fica sem notícia de parentes, sem luz nem telefone. Em
muitos morros, como o Dona Marta, o carteiro deixa a correspondência
na associação comunitária, que usa dois jovens para redistribuírem
o material. A Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb)
terceirizou o serviço em favelas, contratando 2 mil jovens para
recolherem o lixo. Mantém assim a integridade dos funcionários.
Líderes
comunitários sob suspeita
A
Polícia Civil acusa muitos líderes comunitários de serem a
fachada respeitável do narcotráfico. Em abril, o presidente da
associação de moradores da favela Jacarezinho, Antônio Carlos
Gabriel, o Rumba, foi preso. Escutas telefônicas o surpreenderam em
diálogos sobre venda de armas com Luís Caetano Rodrigues, o
Lourinho, traficante da Favela do Rato. Já na Vila Cruzeiro
(Penha), o presidente da associação de moradores responde a inquérito
por suposta promoção de bailes funk envolvendo drogas e meninas.
Luto
imposto pelo crime
Morte
de bandido em favela é chorada por todos. Ai daquele que ousar
desrespeitar o luto imposto pelo tráfico. Quando Cy de Acari foi
encontrado morto na prisão, os comerciantes desse bairro com mais
de 50 mil pessoas na Zona Norte nem esperaram aviso. Cerraram as
portas de aço. Fecharam-se as biroscas, os ambulantes se retiraram
das ruas, parecia feriado. O chefão do Terceiro Comando foi
pranteado como benfeitor, embora sobre ele pesassem acusações
judiciais de mandar executar a ex-namorada e a mãe dela,
encontradas num carro, crivadas de balas. Mesmo a morte dos mais
humildes soldados do tráfico exige panos negros nas janelas dos
barracos.
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ADULTÉRIO
É PAGO COM A VIDA
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O
caso mais emblemático de punição de adultério está
retratado no diálogo entre Luiz Fernando da Costa, o
Fernandinho Beira-Mar, e o motorista de ônibus Michel
Anderson do Nascimento, 21 anos, suspeito de ter um caso
com uma das namoradas do traficante, Joelma Carlos de
Oliveira. Na escuta feita pela Polícia Federal e
divulgada em março de 2000, Beira-Mar comanda por
celular, do Paraguai, uma sessão de tortura. Os corpos do
casal nunca foram encontrados. Confira o diálogo:
Beira-Mar – E aí, tudo tranqüilo?
Michel – Tô todo cortado, as duas orelhas... e os dois
pés. O dedo está pendurado.
Beira-Mar – É mesmo? E a orelha? Orelha é gostosa?
Michel – Se eu soubesse, nunca teria me envolvido.
Beira-Mar – Garanhão, é?
Michel – Não, não senhor. (Beira-Mar pede para falar
com o carrasco)
Beira-Mar – Ô Bomba, dá mais um couro bem dado. Daqui
a 10 minutos eu ligo de volta para saber o que fazer com
ele. Não tenho pressa, não. Bem devagarinho. Passam-se
os 10 minutos.
Beira-Mar – Como tá?
Voz – Tá sem as duas mãos, ele, patrão. Sem as duas
orelhas, sem os dois pés, falando ainda...
Beira-Mar – Deixa eu falar com ele. E aí, tranqüilo?
Michel
– Tô todo quebrado.
Beira-Mar
– Todo quebrado, porra? Você é gostosão, gosta de
comer mulher de vagabundo? Me passa pro Bomba. Ouvem-se
cinco tiros.
Beira-Mar – Tá bom. Manda sumir, manda sumir.
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A cova dos
executados fica no paraíso
O
repórter Tim Lopes foi executado em um local que teria tudo para
ser um paraíso, não tivesse sido transformado pelos traficantes
numa sucursal do inferno.
O
alto do Morro da Grota tem uma das vistas mais deslumbrantes do Rio
de Janeiro. Fica de frente para a belíssima Igreja da Penha,
folheada a ouro e com centenas de anos de existência.
O
monte é emoldurado por mata nativa, de onde é possível avistar o
mar. Pois o bando de Nei Maluco escolheu uma clareira no meio da
mata, um cartão-postal carioca, para transformar em cemitério
clandestino. Ali são queimadas e esquartejadas as vítimas da
quadrilha.
Na
quinta-feira, Zero Hora acompanhou a descoberta de mais um corpo,
picado em pedaços miúdos e com sinais de que a morte era recente.
Chinelos, um cinto e até um anel estavam junto do morto.
Não
foi difícil para os policiais da Divisão de Homicídios acharem o
cadáver. Onde o picão e a enxada penetram, neste terreno com o
tamanho pouco maior do que um campo de futebol, topa-se com ossos
humanos: tíbias, fêmures e perônios em profusão. Eram partidos
numa pedra grande, manchada de sangue, situada no meio da clareira.
Nesse
mesmo local foram encontrados objetos pessoais de Tim Lopes, além
de seu material de trabalho – a microcâmera com a placa
patrimonial da Rede Globo. Na quinta-feira, cinco arcadas dentárias
já haviam sido desenterradas na cova coletiva.
Um
dos trunfos da quadrilha para cometer seus crimes é a dificuldade
de acesso. Uma estrada esburacada e quase intransitável leva ao
alto do morro. Além disso, os traficantes vigiam cuidadosamente
quem sobe na Grota.
O
repórter de ZH e outros colegas de imprensa foram recebidos com
disparos de fuzil quando documentavam uma gigantesca bandeira
vermelha estendida ostensivamente sobre a parede de um barraco no
Morro do Alemão, contíguo ao Morro da Grota.
Na
mesma manhã, policiais civis da Delegacia de Homicídios haviam
trocado tiros com bandidos, no mesmo local. Informações repassadas
pela comunidade aos policiais indicam que mais de 60 corpos podem
estar enterrados na Grota, sem sepultura ou identidade. A maioria
esquartejada e queimada.
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Legião de
refugiados
Foi
a cabeça de um homem negro – ou melhor, o que restou dela, depois
de ser explodida por um tiro de fuzil – junto à entrada da
garagem de casa que fez o comerciante português João Martins
pensar em abandonar o Rio de Janeiro.
–
Nunca amei tanto uma cidade, estou aqui há 40 anos, mas sabes o que
é acordar com um sujeito destroçado na porta? Sabes o que é ter a
caixa d’água vazada a tiros todo mês, o carro do filho furado a
tiro de fuzil? – vociferava Martins, terça-feira passada.
Dono
de uma peixaria na Ilha do Governador, Martins era um entre dezenas
de moradores desse bairro de classe média dispostos a se mudar,
assim que surgisse uma chance.
A
disputa entre duas facções rivais ligadas ao Terceiro Comando (TC)
pelo controle das bocas-de-fumo no Morro do Querosene resultou em três
horas de tiroteio e 18 carros perfurados a tiros ou explodidos por
granadas. Dois carros pertenciam a bandidos. Os demais eram de
populares.
Os
moradores querem indenização do Estado. O presidente da associação
de moradores do bairro, Melchiades Martins, disse que vai fechar a
creche comunitária que ajuda 45 crianças, metralhada duas vezes
este ano.
O
homem explodido era um dos invasores, o quarto a morrer desde
domingo passado, nos confrontos locais. O morto permaneceu sem
identificação oficial por horas. Motivo: os peritos criminais
esperavam reforços para subir o morro. ZH acompanhou a maratona dos
especialistas. Eles passaram num posto da PM, requisitaram um carro,
foram ao 37º Distrito Policial e solicitaram outros quatro.
Os
peritos começaram a subida do Querosene, escoltados por cinco
equipes de policiais com fuzis e metralhadoras para fora das
janelas, atiradores com meio corpo de fora. Ao chegarem perto do
corpo, os peritos sacaram pistolas. A população olhava de longe.
Os
policiais aproveitaram para fazer uma incursão nas proximidades da
boca-de-fumo. Acharam três granadas não-detonadas.
–
De noite, isso aqui tava o inferno na terra. Os vagabundos de fora
cortaram fios de luz e de telefone, a gente teve de se esconder no
banheiro – relata Alex, cuja casa tinha mais de 20 marcas de projéteis
de fuzis.
A
Ilha do Governador foi a bola da vez. A cada semana, um ou mais
morros entram em guerra com fuzis, granadas e lança-foguetes
disparados pelas ruas. Há duas semanas, a batalha ocorreu no Morro
dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte. Durante quatro dias, um
bonde do terror formado por bandidos do Comando Vermelho tentou
tomar as bocas do morro, controladas pelo TC. Oito pessoas morreram
no confronto.
Os
tiroteios foram de tamanha intensidade que cinco escolas tiveram as
aulas suspensas, e a população começou a abandonar o morro.
Centenas de pessoas, em pijamas, abandonaram de madrugada suas casas
em busca de abrigo na quadra da Escola de Samba Vila Isabel, que
virou campo de refugiados.
Entre
o domingo, 26, e a terça-feira, 28 de maio, mais de 2 mil pessoas
deixaram o morro rumo à casa de parentes, longe dali, declarou a ZH
uma das diretoras da associação comunitária, Valesca Carlos. A PM
calcula que os refugiados somavam apenas 300 pessoas. A calmaria no
Morro dos Macacos voltou no início de junho. E, com ela, os
moradores.
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OCUPAR
OU NÃO A FAVELA
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Marina
Magessi – Uma das mais experientes policiais civis
cariocas, a chefe de investigações da Delegacia de
Repressão a Entorpecentes (DRE), Marina Magessi,
coleciona relatos escabrosos sobre os chefões do narcotráfico.
Para ela, ocupar os morros e desarmar os traficantes é
uma medida urgente e necessária:
– Chamar de animalescas as práticas destes bandidos é
ofender os animais. Tem de bloquear a entrada de munição
nas favelas, com ajuda federal. Porque bandido sem arma é
como deficiente sem muleta. E, depois de invadir as
bocas-de-fumo, arranjar emprego para favelado, senão o
ciclo se repete.
André Fernandes – Ocupação de morros é tudo o que não
quer o teólogo André Fernandes, presidente da Associação
de Moradores da Favela Dona Marta, na Zona Sul. Ele criou
o movimento Favelania, que divulga noções de cidadania
(noções de Código Penal, impostos e educação) a
moradores de 30 favelas cariocas. Fernandes controla também
a Agência de Notícias das Favelas, um site na Internet.
– O tráfico é, possivelmente, o maior empregador de
gente nas favelas. Vai acabar com isso dando tiro e
ocupando morro? Jamais. Temos 22 mil presos no Rio, cada
um deles custando R$ 700 mensais ao Estado. Prisão não
resolve. Tem é de botar as crianças que estão fazendo
movimento (tráfico) em filas de cursos
profissionalizantes – acredita.
Fernandes diz que uma alternativa às “tropas de ocupação”
nos morros, como o Batalhão de Operações Especiais
(unidade de elite da PM), está na própria PM: o
policiamento comunitário. É o caso do Grupo de
Policiamento de Áreas Especiais (GPAE), que patrulha os
morros Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na Zona Sul. Os 110
PMs conhecem moradores pelo nome, socorreram 199 pessoas
enfermas entre janeiro e maio deste ano e efetuaram apenas
66 prisões. Nenhum tiroteio ocorreu nos morros.
A sede do GPAE é contígua ao projeto Criança Esperança,
que atende 2,5 mil crianças com aulas de informática,
ginástica, boxe e outras atividades. Informalmente, os próprios
policiais comentam:
– Só vai preso quem dá mole.
Julita Lengruber – A socióloga Julita Lengruber, que
foi ouvidora da polícia fluminense e hoje coordena um
centro de estudos da violência na Universidade Cândido
Mendes, elogia o GPAE.
– É um tipo de polícia que proteje realmente a
comunidade, não aquele que vai ao morro pegar dinheiro do
tráfico e até do pequeno comerciante. Mas tem de vir
acompanhado de outras presenças do Estado, como escola e
saúde – ressalva.
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