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VIOLÊNCIA URBANA - UMA QUESTÃO DE SEGURANÇA PÚBLICA OU POLÍTICA SOLCIAL? Paulo Tadeu Rodrigues Rosa e Eliane Ferreira Macerou
A
Constituição de 1988 estabeleceu que o Estado é o responsável pela
preservação da integridade física e patrimonial das pessoas. Todos os
brasileiros e estrangeiros residentes no país e mesmo àqueles que estejam
de passagem pelo território nacional possuem o direito a esta proteção.
Mas será que somente o Estado é o responsável pela preservação da ordem
pública ?
Os vários segmentos que constituem a sociedade possuem objetivos em
comum, e vivem sob o manto de um conjunto de regras que foram previamente
estabelecidas. O Estado tem um dever para com os administrados, mas todas as
pessoas são responsáveis pela preservação da ordem pública em seus
diversos aspectos : segurança pública, salubridade e tranqüilidade.
A morte de um cidadão trabalhador ou mesmo de um infrator possui conseqüências
para todo o grupo social, mesmo que este não acredite ou não aceite os
fatos. A violência não é apenas uma questão de polícia e não será
resolvida com o aumento do número de vagas no sistema penitenciário.
A realidade está cada dia mais próxima e o número de homicídios
comprova que alguma coisa está errada no atual sistema.
As pessoas querem segurança e clamam por políticas sociais e a melhoria
das condições de vida. A falta de distribuição de renda e a implantação
de políticas educacionais que possam atender as necessidades da população
são questões que devem ser enfrentadas na busca da diminuição da violência.
A pobreza não justifica a prática da violência. O rico e o pobre devem
cumprir a lei e esta deve ser igual para todos, sob pena de se cometer
injustiças. Mas as pessoas também possuem o direito a uma vida com
dignidade, que está representada por uma real possibilidade de crescimento
profissional e econômico.
O aumento da violência nos médios e grandes centros urbanos também
é uma responsabilidade da sociedade por mais que esta não aceite este
fato.A criminalidade em um primeiro momento pode até ser enfrentada com o
emprego da força policial, mas esta não é e nunca foi a solução final
para este problema.
Nas ruas brasileiras, existe atualmente uma guerra urbana onde muitos saem
para o trabalho diário, mas não sabem se irão retornar para o lar e para
as suas famílias. A prática de homicídios, roubos, seqüestros, rebeliões,
não é mais um fato isolado que possa motivar alguma surpresa quando
apresentado nos noticiários.
As
famílias estão cada vez mais trancadas em suas residências, e os muros
altos, as grades elétricas, e a presença de seguranças, não significam
necessariamente um salvo conduto contra os criminosos. A dúvida que surge e
que precisa de uma solução está representada pela seguinte indagação, o
que fazer? A resposta não é simples e passa por vários setores, sendo os
principais : a
geração de empregos, a distribuição de rendas, saúde, educação,
controle de natalidade, habitação, entre outros.
O
distanciamento do Estado e a falta de uma participação efetiva da
sociedade são questões que devem ser estudadas para se evitar o
crescimento da violência em determinados grupos sociais, que são mais
carentes e muitas vezes vivem na marginalidade. As limitações sociais não
justificam a violência, mas todos possuem o direito a uma vida com
dignidade, que é diverso de uma vida marcada por luxos. A dignidade humana
é um direito assegurado a todos os cidadãos,
art. 1 º, inciso III, da CF.
As pessoas não querem apenas cestas-básicas ou uma ajuda emergencial. O
trabalhador precisa de um emprego e oportunidades para que possa crescer,
constituir sua família e possuir um teto para se abrigar das intempéries e
ter o seu merecido descanso após o cumprimento de sua jornada diária na
lida. A solução existe e está ao alcance de todos, mas é preciso a união do Estado e da sociedade para que a liberdade, a fraternidade, e a solidariedade, sejam uma realidade neste belo país, que é formado por pessoas que o amam e acreditam na sua potencialidade e sabem que a violência pode e será vencida. |
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