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GESTÃO TEMERÁRIA Percival Puggina
Após longa reunião, o governo do Estado,
através de seus mais qualificados porta-vozes, anunciou que não poderá
pagar o décimo-terceiro salário aos servidores se não houver aceleração
significativa no fluxo de dinheiro para o caixa do Tesouro, jogando, ali,
mais 500 milhões de reais. E sem qualquer constrangimento retirou-se da
reta das conseqüências políticas: a culpa é da oposição, que se tem
negado a aumentar impostos e que, mais recentemente, não quis transferir
para o Caixa Único os depósitos judiciais relativos às demandas fiscais. Ora, não aumentar impostos era e é uma exigência
da sociedade. O candidato Olívio Dutra farejou isso do alto de seus
honrados bigodes durante a campanha eleitoral e se comprometeu,
publicamente, a não elevar a carga tributária. Os recursos para realizar o
sedutor conjunto de suas promessas de campanha seriam obtidos por mecanismos
muito simples: o governo não usaria helicópteros (comprou mais dois) e não
gastaria em propaganda. "Palavra de gaúcho". Na questão dos depósitos judiciais,
tratava-se de permitir que o Poder Judiciário fosse beneficiado pela
diferença entre a remuneração legal e a remuneração real desses
valores, um pequeno spread (para dizer como os banqueiros) da ordem de seis
milhões mensais. Ou seja, pode-se questionar a moralidade de tal utilização
mas o que legalmente pertence às partes permanece no banco à disposição
das partes. O que pretendia, o governo? Transformar o montante relativo às
pendengas judiciais em farinha do saco do Caixa Único, onde sumiria já em
dezembro – confessa-se agora – com a folha de pagamento do décimo-terceiro
salário. Andou bem o parlamento estadual ao recusar semelhante apropriação
indébita. Por outro lado, a gestão financeira do
estado é absolutamente temerária. Se o Tesouro não dispõe de recursos
para pagar o décimo-terceiro salário dos servidores, como entender que as
maiores autoridades do governo venham a público vangloriar-se de terem
engrossado os quadros de pessoal com 30 mil novos funcionários em apenas três
anos de gestão? Como aceitar que estejam criando uma Universidade Estadual
e apregoem para ela a mais elevada qualificação se a folha de pessoal,
sozinha, já é um encargo insuportável, mesmo com os deficientes serviços
que o Estado reconhecidamente presta? Finalmente, se a cartola está furada,
de onde saem os coelhos para as obras que anunciam? O Rio Grande precisa cobrar estas explicações, a menos que desejemos desempenhar o papel de bobos da corte ideológica, cujo fascinante discurso, em nenhuma circunstância, acerta seus botões com as casas da realidade. |
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