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Zero Hora de 30/04/02 |
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Pesquisa
coloca Estado em 3º no ranking da violência ADRIANA IRION O
Rio Grande do Sul ocupa o terceiro lugar no ranking nacional de violência
na relação de crimes contra o patrimônio, segundo pesquisa coordenada
pelo sociólogo Túlio Kahn, do Instituto Latino-americano das Nações
Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente (Ilanud). O
trabalho foi encomendado há um ano pelo Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência da República e tomou por base estatísticas
das secretarias estaduais de Segurança. O
trabalho, concluído há dois meses, foi apresentado por Kahn ontem, na
Capital, a convite da Comissão de Serviços Públicos da Assembléia. De um
grupo de 10 crimes escolhidos para avaliar a violência, o Estado teve índices
altos em seis: outros furtos, outros roubos, furto de veículos, lesão
corporal, estupro e seqüestro. No ranking geral, ficou entre os cinco
Estado mais violentos. –
Esse levantamento procurou utilizar, além dos números de homicídios,
crimes contra o patrimônio, como furtos, roubos e seqüestros. E são
justamente nos Estados onde a qualidade de vida é melhor e a renda média
maior que ocorre a grande parte dos crimes contra o patrimônio. São crimes
que tendem a ocorrer onde tem algo a ser roubado – diz Kahn. O
trabalho não se baseia apenas em taxas de homicídios, internacionalmente
aceitas como medidores do nível de criminalidade, porque parte desses
crimes, conforme Kahn, não está ligada à lógica da dinâmica da
criminalidade: –
As sociedades concordam que o homicídio é o crime mais relevante, além de
ser mais confiável em termos de notificação às autoridades. Mas a classe
média sente de outra maneira, ela se sente insegura porque é vítima dos
roubos e de seqüestros. Por isso, muitas vezes, os crimes contra a vida
diminuem na periferia e a sociedade nem percebe. A
solução para conter os crimes contra o patrimônio é, conforme Kahn, o
aprimoramento da prestação do serviço de segurança, fazendo investimento
em outras modalidades de policiamento, como o comunitário ou o orientado. –
O diagnóstico é instrumento importantíssimo para o combate da
criminalidade, mas é pouco adotado no Brasil, com exceção de Minas Gerais
e de São Paulo. Sem esses bancos de dados nas mãos das polícias, se tem
quase sempre uma política de segurança pública feita às cegas –
afirma.
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