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Zero Hora de 31/08/02 |
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PMs preencherão ocorrências CARLOS ANDRÉ MOREIRA Na
primeira quinzena de setembro deve estar sendo implantado em Porto Alegre um
único boletim de ocorrências para as polícias Civil e Militar. O
sistema permitirá que a BM, ao atender chamados de ocorrências leves, faça
o registro, eliminando a necessidade de a vítima se deslocar até uma
delegacia da Polícia Civil. Porto
Alegre, Canoas e Novo Hamburgo – que também adotarão o formulário único
na primeira quinzena de setembro – são algumas das poucas grandes cidades
do Estado que ainda não implantaram o procedimento. O sistema começou a
ser aplicado gradativamente pelo Comando da BM e pela Chefia de Polícia
Civil e já funciona em Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves, Rio
Grande, Uruguaiana, Santana do Livramento, Santa Maria, Pelotas, Passo Fundo
e Osório, entre outras. Até o fim do ano, deve estar implantado em Gramado
e Santa Cruz do Sul. Conforme
a Secretaria da Justiça e da Segurança (SJS), de maio de 2001 até julho
deste ano, já foram emitidos pela BM 37 mil boletins. Os casos em que um PM
pode fazer a ocorrência são aqueles em que o autor do crime não está
mais presente no local ou os considerados de menor potencial ofensivo, cuja
pena seja menor do que dois anos de detenção – ameaças, lesões
corporais leves, furtos em veículos ou perturbação do silêncio. A
SJS espera eliminar um dos grandes fatores para a não-comunicação de
ocorrências por parte das vítimas: o transtorno de comparecer à
delegacia. –
Vamos deixar de ser uma polícia de recados – comemora o comandante do 11°
BPM, tenente-coronel, Edson Pereira Alves. Para
tornar os PMs aptos a preencher o formulário, todos os policiais de Porto
Alegre foram submetidos desde o ano passado a um cursos e instrução sobre
leis e o tipo de atitude a tomar diante de cada caso. Para evitar dúvidas
sobre as ocorrências, foi elaborado um manual de bolso para os PMs. Os
blocos de ocorrência trazem um campo específico para que o policial
classifique o que está preenchendo como uma comunicação (se o autor é
desconhecido) ou um termo circunstanciado (delitos leves em que o autor está
presente). –
Hoje, quando uma pessoa encontra sua casa arrombada, chama a BM. Nós
deslocamos uma equipe para o local, mas o policial vai lá apenas para ouvir
o relato e orientar o cidadão a ir a uma DP. Com a mudança, quem atende o
caso já faz o registro. A vítima terá uma preocupação a menos – diz o
comandante de Policiamento da Capital, coronel Ilson Pinto de Oliveira. Em
Pelotas, o boletim único está sendo usado desde 27 de junho. Neste período,
foram realizados 215 registros de termos circunstanciados e 1.073 comunicações
de ocorrência policiais. Segundo o oficial gerenciador do sistema do 4º
BPM, tenente Altimor Rodrigues Sarmiento, uma pesquisa atesta que o BO único
agrada ao público. –
O policial funciona com um mediador – diz. Em
Santa Maria, os boletins foram implantados em 18 outubro de 2001. A previsão
do major Sérgio Olinto Ribas dos Santos, chefe da Assessoria de inteligência
e Operações, é de que nos próximos 30 dias mais três municípios
(Itaara, São Martinho da Serra e Silveira Martins) disponham do serviço. A
média de registros de termo circunstanciado varia entre cem e 120 ao mês.
As principais incidências são lesão corporal – cerca de 50% das ocorrências
–, ameaça e danos. A comunicação de ocorrência policial varia de 500 a
530 por mês. O total de registros representa 90% das ocorrências policiais
de cidade.
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