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Zero Hora de 06/02/02 |
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MP do
governo é alvo de críticas O
primeiro tiro do governo federal no combate à criminalidade está sendo
questionado por especialistas. A
medida provisória cunhada para diminuir regalias de presos e dificultar o
acesso a armas e drogas foi alvo de poucos elogios e muitas contestações. A
medida provisória número 28, de 4 de fevereiro, reduz as atribuições dos
juízes de execução e promotores, dando autonomia para que diretores e
superintendentes transfiram presos e determinem punições por indisciplina
que podem culminar com o isolamento. –
Transferir poder dos juízes para o diretor do presídio é um erro. Não há
notícia de juiz entrando com arma no presídio, mas de diretores já houve
– afirma o vice-presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do
Sul (Ajuris), Carlos Rafael dos Santos Júnior. Para
a promotora da Vara de Execuções Criminais Ana Rita Nascimento
Schinestsck, a medida não diminuirá a criminalidade se editada
isoladamente. –
Com o tempo ela até pode reduzir alguns problemas, mas não é a solução
definitiva – opinou. As
críticas ao aumento do rigor nas prisões são corroboradas pelo presidente
da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), Valmir Martins Batista. Assim
como representantes do Ministério Público e servidores do sistema
penitenciário, os advogados deverão se submeter ao detector de metais nas
prisões. –
É preciso atacar o crime organizado, não somente os apenados – argumenta
Batista. Para
o deputado federal Marcos Rolim (PT-RS), o aumento do poder permitirá que
diretores chantageiem presos com ameaças de transferência. Na opinião do
parlamentar, o aumento da tensão nos presídios seria inevitável. –
O governo estadual não pode aceitar a elevação no tempo de isolamento –
exige. Em
Brasília, o presidente do Senado, Ramez Tebet, descartou a
inconstitucionalidade da medida e apostou na sua aprovação pelo Congresso.
É o que esperam os agentes penitenciários gaúchos, conforme o presidente
do Sindicato dos Servidores Penitenciários e da Secretaria da Justiça,
Roberto Baz de Souza. A
Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) evitou polemizar
(confira frases abaixo).
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