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À MARGEM DO DIREITO Extraído de zero hora de 15/09/01 Uma
milícia armada, composta de colonos sem-terra, estaria encarregada de impor
a ordem e a lei nos assentamentos do MST no município do Jóia. O
assassinato de um agricultor na madrugada do dia 7 de setembro, levado a
efeito na frente de familiares da vítima, abriu caminho para investigações
que levam a polícia a crer na existência de um “grupo de disciplina”
formado de cerca de 60 colonos vinculados ao MST. Entre outras funções, a
milícia se encarregaria de expulsar famílias de agricultores que se
instalaram no local mas que não possuem vínculos com a principal entidade
dos sem-terra. Os
depoimentos prestados à polícia até o momento confirmam a existência da
força paramilitar. Foram inclusive fornecidos detalhes das reuniões em que
foi planejada a expulsão das famílias de agricultores não ligados ao MST.
Na mesma noite em que ocorreu o disparo que matou o colono, a Brigada
Militar localizou e prendeu três suspeitos armados e deteve um outro grupo
de oito agricultores que levavam revólver, espingarda e munição. Antes da
chegada da guarnição da BM, outras cinco famílias haviam sido ameaçadas. São acontecimentos da maior gravidade, que pedem elucidação completa e imediata por parte das autoridades estaduais, ainda mais que Jóia registra antecedentes preocupantes em questões de procedimento e comportamento no meio rural, pois foi ali que surgiram os primeiros focos do surto de aftosa que recentemente atingiu o Estado. E foi também ali que ocorreu a destruição de uma lavoura de soja transgênica. A
reforma agrária é importante e deve ser realizada, mas dentro da lei e do
respeito aos direitos de todos e de cada um. Seria total incoerência do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que se beneficia da ordem
democrática para fazer avançar seus objetivos, gerar e alimentar em seu próprio
seio uma milícia encarregada de agir contra colonos com a brutalidade que
sempre condenou nas vezes em que foi usada contra seus assentados. |
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