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VIOLÊNCIA
E CORRUPÇÃO – LIMITES A SEREM VENCIDOS EM NOME DA LIBERDADE
Paulo
Tadeu Rodrigues Rosa A
violência é uma realidade da sociedade brasileira que não faz qualquer
distinção entre classes sociais, mas que a cada dia faz uma nova vítima.
Mas além da violência praticada pelo denominado governo paralelo, será
que existem outras formas de violência?
A imprensa menciona em seus noticiários que existe violência
policial, como se esta fosse a regra e não a exceção, e muitas vezes
destaca casos de corrupção policial. Mas os infratores são oriundos de
qual grupo social?
Segundo a imprensa americana alguns executivos estariam maquiando os
dados de suas empresas, o que configura um ilícito. Mas os executivos são
provenientes de qual grupo social?
Nos bailes de formatura ou mesmo em bailes sociais não se pode
mais deixar uma bolsa, um cd-player, ou mesmo um vaso de flores sobre a
mesa, sem que o proprietário esteja correndo um sério risco de retornar e
não mais encontrar os seus objetivos. Essas pessoas que agem assim estariam
praticando alguma violência ?
Percebe-se que a sociedade e não apenas os grupos paralelos também
praticam ilícitos e muitas vezes contribuem para o aumento da insegurança,
o medo coletivo, que impede as pessoas de levarem uma vida livre de qualquer
neurose.
A honestidade não é mais uma qualidade inerente ao homem ou a
mulher, mas uma virtude que todos destacam como se fosse algo fora do comum,
que merece elogios, destaque. Parece que o cumprimento da lei, o respeito ao
próximo, deixou de ser uma realidade para se tornar uma entidade, que deve
ser admirada, venerada, quando esta surge em algum lugar do mundo ou num
determinado momento da vida.
No dia-a-dia, poderia se indagar se existe alguma diferença entre a
pessoa que pratica um roubo, um seqüestro, e a pessoa que desvia dinheiro
de uma obra pública ou privada, que é capaz de ludibriar uma outra em uma
venda, ou mesmo furtar uma caneta, um livro, uma camisa, ou um tênis? A
resposta é que não existe diferença nenhuma e que todos são infratores,
mas segundo o entendimento legal em muitos casos agentes de ilícitos de
menor potencial ofensivo, que ficam sujeitos a uma pena substitutiva
representada pelo pagamento de uma cesta básica ou de uma multa destinada
ao sistema penitenciário.
As pessoas estão morrendo nas ruas das cidades, por motivos banais,
sem significado. As crianças de 4 ou 5
anos são assassinadas por causa de uma discussão de trânsito ou mesmo
para satisfazer a um desejo material, a aquisição de um a pedra de craque,
um cd player, ou qualquer outra futilidade.
As regras de trânsito não são respeitadas e as pessoas que
praticam ilícitos discutem como se estivessem certas querendo se impor pelo
uso da força. Qualquer fato é motivo para uma discussão armada, que leva
na maioria dos casos a morte. Nesse momento marcado pelo dor, o sofrimento,
surge a seguinte pergunta, qual será a origem dos infratores?
Todas as pessoas são provenientes de uma família que integra um
grupo social que está inserido na sociedade. Nenhum criminoso possui uma
origem extraterrestre, todos são
oriundos da sociedade que elege princípios e que promete o combate à
criminalidade, e que afirma que todos possuem o direito à vida, à
liberdade e a integridade física ou patrimonial.
As pessoas que deveriam estar presas estão soltas. Os presos fazem
rebeliões, desafiando a ordem previamente estabelecida, demonstrando a
fragilidade do sistema penitenciário e custam caro ao Estado, enquanto
outras pessoas no interior do país morrem de fome por falta de recursos, ou
mesmo de um leito no hospital. Existem crianças que não conhecem o
significado de um café manhã.
A cada dia novas e novas denúncias surgem, mas após uma semana são
esquecidas como se nada tivesse acontecido. Será que estamos vivendo um
mundo virtual, onde os fatos não passam de uma fase do videogame que a
qualquer momento poderá ser reiniciado, como se nada tivesse ocorrido.
Na quarta-feira, dia 11 de setembro de 2002, a cidade do Rio de
Janeiro vivenciou novas cenas de violência, que retratam
a crise de valores que a sociedade vem enfrentando neste começo de século.
Ao analisar os fatos ocorridos no Rio de Janeiro, os jornalistas da Revista
Veja que escreveram a matéria Tá
tudo dominado publicada no
dia 18 de setembro de 2002, fazem a seguinte observação, “O que existe
é um ambiente de promiscuidade e corrupção que contaminou a máquina
administrativa e as forças policiais. A máquina encarregada de prender e
manter presos os grandes criminosos está, pelo menos em parte, contaminada
pelo dinheiro que esses bandidos distribuem para comprar facilidades”,
fls. 90. Ainda segundo a matéria, “Um
cálculo do Ministério da Justiça estima que de cada 1 milhão de dólares
gerados pelo mercado de droga, cerca de 25% tenham como destino final a
corrupção de agentes, autoridades e fiscais encarregados de combater o
banditismo”, fls. 90 a 92.
A educação é o único meio que pode transformar o comportamento
dos homens, para que estes aprendam desde cedo a respeitar o próximo, e os
direitos e garantias individuais que a todos são assegurados. A honestidade
não pode ser uma qualidade a ser destacada, mas uma virtude inerente a cada
pessoa.
Os infratores possuem a sua origem na sociedade que estabelece várias
regras, mas que na maioria das vezes não são cumpridas. Os juramentos estão
se tornado letra morta, e a lei se assemelha cada vez mais a uma entidade
distante dos pobres mortais.
A violência e a corrupção devem ser extintas para que o mundo não
caminhe para o abismo, com a prática de atos de barbárie, como ocorreu
durante a Idade Medieval, onde inocentes eram presos nas masmorras ou nos
calabouços. A maldade não pode triunfar, caso contrário a liberdade não
terá mais sentido.
Durante os séculos os homens foram capazes de sacrificarem suas
vidas para lutarem pela a vida e a liberdade, que são os bens mais
importantes de um ser humano. A violência não conseguirá afastar a
humanidade de sua evolução.
As pessoas podem ser modificadas com a força do amor e da educação.
Todo criminoso um dia foi uma criança ingênua e sem maldade. Em algum
momento perdeu a crença em uma força superior e mesmo nos homens. Mas é
preciso acreditar sempre, para que a humanidade não caminhe para o caos e
acabe encontrando a sua extinção, tal como aconteceu com os dinossauros
que eram muito mais fortes.
A força por si só não resolve os problemas que surgem a cada novo
dia. A destruição dos princípios e do meio ambiente poderá levar a
humanidade para o caos, e nenhum discurso sem uma prática
eficaz conseguirá reverter essa situação. A sociedade deve
investir cada vez mais na educação e na formação do caráter das
pessoas. O triunfo da maldade
começa com as pequenas coisas, mas é preciso transformar o mundo a nossa
volta. A esperança ainda é um antídoto para todas as situações, mas é preciso que cada um assuma a sua responsabilidade e acredite no respeito ao próximo e no cumprimento da lei. Feliz do homem que constrói a sua volta em um templo de sabedoria e felicidade, este a cada dia está mais perto da força criadora, que não faz qualquer distinção, mas que observa os atos de cada um, sabendo distinguir, o joio do trigo, para que somente os puros de coração possam encontrar um caminho de paz e tranqüilidade. |
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