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INTERFERÊNCIA SUSPEITA Editorial
Zero Hora Depois da
estarrecedora omissão de funcionários da Secretaria da Justiça e da
Segurança durante a depredação do relógio dos 500 Anos em Porto Alegre
em abril do ano passado, quando uma inspetora chegou a ordenar a saída da
Brigada Militar do local, a sociedade gaúcha está diante de outro fato
intrigante e grave nesta área. Em depoimento à CPI da Segurança Pública
da Assembléia, o delegado Alexandre Vieira confirmou ontem detalhes de
incidente registrado durante o Fórum Social Mundial, em janeiro deste ano,
que lança novas suspeitas sobra a política de segurança pública no
Estado. Diante do inusitado do caso que, de acordo com o relatório da
autoridade policial, evidencia crimes tais como “prevaricação, peculato,
constrangimento ilegal e outros”, cabe agora aos parlamentares o
compromisso de esclarecê-lo em profundidade. Pelas suas características,
o episódio que acabou transformando em alvo de investigação da CPI
deveria limitar-se à apreensão em flagrante de um jovem com drogas por
policiais da Brigada Militar no acampamento em que se encontravam
participantes do Fórum Social Mundial. Só acabou assumindo dimensões
inquietantes a partir do momento em que um escrivão, que atualmente ocupa a
função de assessor especial da Secretaria da Justiça e da Segurança,
teria ordenado a liberação do preso depois de, supostamente,
consultar oficiais superiores por telefone. Embora a investigação
recém esteja começando, a semelhança com fato anterior é suficientemente
consistente para reforçar suspeitas de desmandos e irregularidades inadmissíveis
na segurança pública. Por menos que o
poder público deseje, as circunstâncias ainda sob investigação que
resultou na destruição de um símbolo da comemoração dos 500 anos
continuam fazendo vítimas. É o que se constata a partir da recente
destituição do coronel Roberto Ludwig, à época comandante da Brigada
Militar, e que nos últimos tempos vinha se dedicando a um projeto de
segurança para a prefeitura da Capital. A semelhança entre os fatos
envolvendo os dois episódios, apesar da negativa veemente do funcionário
do governo de que não determinou a liberação do menor, reforça a
responsabilidade dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito. A CPI
tem diante de si uma oportunidade única de investigar de forma cabal um
assunto em relação ao qual não podem pairar dúvidas. A busca da verdade
de forma objetiva seria também uma forma de corrigir sucessivos equívocos
que vinham marcando sua atuação na fase anterior ao recesso. Certamente, o
governo tem o direito de preservar o seu compromisso com os direitos
humanos, e essa é uma atitude que precisa ser reconhecida. Essa preocupação,
porém, não pode dar margem a interferências de natureza política, que
desmoralizam as forças policiais e aumentam a sensação de insegurança
dos cidadãos. |
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