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Revista Isto É de fevereiro/2002 |
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Guerra
na fronteira Amaury
Ribeiro Jr e Leopoldo Silva (fotos)
- Capitán Bado, Paraguai
Apontado
pela Polícia Federal e pela Divisão Antinarcóticos do Paraguai (Dinar)
como o principal traficante da fronteira do Brasil com o Paraguai, Carlos
Cabral, conhecido como “Líder”, 30 anos, é um homem desesperado.
Sucessor do sexagenário João Morel – o poderoso chefão paraguaio que
comandava o tráfico da região até ser morto no ano passado, em um presídio
de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, por ordem do traficante carioca
Fernandinho Beira-Mar –, Cabral sabe que seu império começou a
desmoronar. Isso ficou claro na noite de 8 de janeiro, quando recebeu um
telefonema da Dinar em Pedro Juan Caballero, município paraguaio que faz
divisa com o Brasil. Policiais recomendavam a Cabral que reduzisse sua
segurança e retirasse os fuzis AR-15 e as metralhadoras de sua fortaleza,
localizada a um quilômetro do centro de Capitán Bado, um pequeno
vilarejo na Província de Amambay, também na fronteira. No dia seguinte,
alertavam os policiais, haveria uma blitz da Dinar sob a coordenação da
promotora Terezinha Paredes. Com a confiança de quem tem policiais em sua
folha de pagamento, o traficante não duvidou da recomendação.
Acompanhado por apenas quatro seguranças, aguardou a batida. A visita se
confirmou no dia seguinte, mas os agentes da Dinar não vieram sozinhos. Cabral tomava tererê (erva-mate do Paraguai) com amigos quando viu o portão de sua casa ser perfurado por tiros. Sob o comando do líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Douglas Ribeiro Cunha, um fugitivo do Presídio de Ribeirão Preto que se transformou no atual homem forte de Beira-Mar na fronteira, 20 homens encapuzados invadiram a fortaleza do “Líder”. Armado com granadas, fuzis AR-15 e M-16 e metralhadoras Uzzi, o esquadrão de Douglas arrombou os portões da casa de Cabral enquanto os agentes da Dinar Carlos Pereira e Ricardo Diaz agiam pelas portas dos fundos, matando os seguranças. Um terceiro agente, Francisco Resquim, dava retaguarda numa Toyota do lado de fora. Em lugar de uma blitz, houve um massacre. Com o apoio logístico dos agentes da Dinar, os traficantes lançaram granadas em direção aos capangas de Cabral. Seu filho, Leonardo, de três anos, foi morto com um tiro de fuzil. Pulando um muro lateral, “Líder” escapou do tiroteio. Foi apenas um lance da mais sangrenta guerra na disputa pelo tráfico que se tem notícia na fronteira do Brasil com o Paraguai. Um ataque de 15 minutos deixou 11 mortos. E nos últimos 30 dias, foram mais 21 assassinatos. |
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