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Zero hora de 05 e 16/09/02 |
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Pesquisa mostra
facilidade de acesso a drogas CARLOS ANDRÉ MOREIRA O
Sul é líder no consumo de maconha, de crack, de cocaína e uma das
regiões do Brasil nos quais o acesso às drogas ilegais é
considerado mais fácil. Os
dados fazem parte da pesquisa realizada pela Secretaria Nacional
Antidrogas (Senad). O Levantamento Domiciliar de Uso de Drogas é
quase um censo sobre tóxicos no Brasil. A
íntegra da pesquisa foi apresentada na manhã de ontem pelo diretor
da Senad, general Paulo Roberto Uchôa, durante o encontro nacional
de conselhos estaduais de entorpecentes (Conens) em Brasília. Os
detalhes divulgados pelo levantamento mostram que o maior consumo de
drogas no país é verificado na faixa de 15 a 25 anos. O estudo foi
realizado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas
Psicotrópicas (Cebrid), vinculado à Universidade Federal de São
Paulo (Unifesp). Os
pesquisadores do centro percorreram 107 cidades brasileiras em um
período de três meses em 2001. A idéia era mapear não apenas o
consumo, mas a percepção que a comunidade nas grandes cidades
brasileiras tem do uso e da venda de drogas, legais ou ilegais. Aos
entrevistados foi perguntado também se consideravam fácil adquirir
determinados tipos de drogas, se já haviam sido abordados ou mesmo
se haviam procurado vendedores. Dados
sobre os efeitos provocados pelo consumo também foram obtidos. A
pesquisa revelou, por exemplo, que 4% dos entrevistados já haviam
sido internados para tratamento por causa do uso de álcool e outras
drogas – número maior do que nos Estados Unidos (0,7%). E 2% dos
entrevistados admitiram ter se envolvido em acidentes por causa do
uso de drogas. Outro 1,8% contou haver agredido alguém depois de
consumir drogas. Os
três Estados da Região Sul foram apontados pela pesquisa como
aqueles nos quais as pessoas consideram mais fácil o acesso a
drogas como maconha. O índice de 66,7% é maior até do que a média
nacional. Foi
também a região em que mais entrevistados relataram ter visto alguém
em estado alterado devido ao uso de drogas. Já nos casos de outras
drogas, como crack, cocaína, LSD e mesmo heroína, o Sudeste foi a
região em que mais pessoas disseram ser fácil obter tais substâncias.
O Sul ficou em segundo. Com
os dados, a Senad pretende agora adotar medidas de combate às
drogas no Brasil. Uma das idéias é incluir nos currículos de
todos os cursos de Ensino Superior e Magistério disciplinas sobre
prevenção do uso indevido de drogas, para capacitar o corpo
docente. Também está prevista a adequação do currículo escolar
dos cursos dos ensinos Fundamental e Médio, visando à formação
da criança e do adolescente.
Denarc prepara Raio X no Estado DULCI EMERIM Uma
pesquisa entre presos e detidos por tráfico e uso de drogas, a ser
iniciada nos próximos dias pelo Departamento Estadual de Investigações
do Narcotráfico (Denarc), poderá ajudar a esclarecer por que as
pessoas consideram mais fácil obter maconha na Região Sul do que
no resto do país. Segundo
o delegado Emerson Wendt, diretor do Denarc desde janeiro deste ano,
até agora não foi feita uma radiografia do tráfico no Estado que
explique os números da pesquisa feita Secretaria Nacional
Antidrogas. Wendt
diz que quantidade de drogas apreendidas desde que assumiu já
ultrapassou o que foi recolhido no ano passado. Segundo ela, a eficiência
aumentou apesar da diminuição de quase um terço no efetivo disponível.
Para o delegado, o que alimenta o tráfico é o consumo, uma questão
social a ser enfrentada com educação: –
O tráfico tem de ser combatido mais no aspecto preventivo do que no
repressivo. O Plano Nacional Antidrogas prevê a inserção de
disciplina específica no currículo escolar para discutir o
assunto. É uma pena que isso ainda não tenha sido implantado. O
departamento está trabalhando em um modelo de questionário a ser
aplicado a pessoas envolvidas na venda e no uso de drogas pegas pela
polícia. O
objetivo do levantamento é traçar o perfil do usuário e saber
onde e de quem ele adquire a droga. Wendt acredita ser possível,
por meio do levantamento, avaliar o grau de facilidade de acesso às
drogas.
Traficantes negociam pela
Internet As
facções criminosas Comando Vermelho (CV), do traficante Luiz Fernando da
Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Terceiro Comando (TC), de Paulo César da
Silva Santos, o Linho, já chegaram à Internet. Desde
que a polícia passou a grampear os celulares dos traficantes, as quadrilhas
adotaram a rede mundial de computadores como meio de comunicação para
negociar armas e drogas, além de fazer apologia do crime e até exibir os
seus estatutos. Um
exemplo é um link encontrado numa página do CV para um site, em português
e com endereço brasileiro (com a terminação .br), das Forças Armadas
Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupo guerrilheiro aliado da quadrilha
de Beira-Mar. Na certeza de não serem descobertas, as facções criaram
sites, contas de e-mail e fizeram registros no ICQ, programa de bate-papo em
tempo real, para que os bandidos troquem mensagens. Em
um rastreamento feito pelo jornal O Globo, foram descobertos quatro sites e
26 registros de usuários do ICQ suspeitos de pertencerem a criminosos. Na
página do TC são exibidas fotos de bandidos armados e usando drogas. No
site do CV Rogério Lemgruber (CVRL), que leva o nome do fundador da
facção, há fotos de presidiários e covas de bandidos. Numa
exibição de força, os bandidos divulgam seu arsenal, com fotos e dados
técnicos de armas como o fuzil AK- 47. Nesse mesmo site, há uma lista com
as 136 favelas dominadas pelo CV. Nas
páginas de registros de usuários do ICQ, foram encontrados cadastros com
nomes de traficantes como Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, e Celso
Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém. Nesses registros há links para
sites do CVRL e do Terceiro Comando. Segundo
o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, de São Paulo, especialista em
crimes pela Internet, as páginas pertencem realmente a traficantes que
buscam escapar de grampos telefônicos: –
Os criminosos descobriram a rede e atuam nela. Em São Paulo, tiramos do ar
uma página do Primeiro Comando da Capital (PCC), que tem ligações com o
Comando Vermelho. Quanto às Farc, já identifiquei provedores no Nordeste
que mantêm suas páginas.
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