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ÉTICA DA URGÊNCIA George Felipe de Lima Dantas As coisas públicas existem num quadro
temporal que certamente comporta uma "ética da urgência" e de
medidas com ela compatíveis. É preocupante que num momento como o que
vivemos agora, com os atores políticos preparando-se para os grandes
embates eleitorais que se avizinham, importantes questões da segurança pública
possam ficar "soterradas" durante o curto espaço de tempo em que
o futuro Ministro da Justiça, Nunes Ferreira, poderá permanecer à frente
daquela importante pasta do Poder Executivo Federal. Existem muitas coisas por serem
"consertadas" na "política" de segurança pública
praticada pelo Governo Federal desde junho de 2000, tendo como complicador a
existência de um plano nacional que foi desfigurado pela fragmentação de
seu conteúdo, mas que, apesar disso, deu ensejo à criação de um fundo
pleno de recursos... O Ministro José Gregori vem administrando a
questão da segurança pública, em nível nacional, com um plano de
articulação de conteúdo e metodologia questionáveis. Não poderia ser
diferente disso, quando até mesmo a edição de matéria da importância de
um Plano Nacional de Segurança Pública, casuística, acontece em resposta
a um estímulo cuja iniciativa política, se permitiu o Executivo Federal,
fosse da ação hedionda de um seqüestrador de ônibus do Rio da Janeiro (o
"ônibus 174"...). Diante da comoção, se fez editar e
implementar o plano... Dezesseis meses passados desde a edição do
plano, a Nação desconhece as estatísticas da criminalidade violenta, nem
de antes nem de depois da implementação do plano, em que pese as
gordas verbas disponibilizadas para a consecução das "ações"
nele preconizadas. Intelectuais brasileiros, voltados para a pesquisa acadêmica
da criminalidade e da violência, recentemente, organizaram um manifesto
"pela transparência de dados criminológicos", dados esses que o
Governo Federal ainda insiste em fingir não ter de disponibilizar... Com tudo isso, o Ministério da Justiça
poderia ter feito muito mais com aquele mesmo Plano Nacional de Segurança Pública.
Bastaria ter feito a gestão cuidadosa das intenções e conhecimentos
que nele estão embutidos, não apenas a distribuição apressada, quiçá
inconseqüente, das verbas disponibilizadas pelo fundo que lhe dá sustentação
e alavancagem. Mas não poderia ser diferente, com uma Secretaria Nacional
de Segurança Pública (SENASP) em que o titular é um leigo em
segurança pública ou atividade correlata... Aos equívocos do plano
somou-se a avidez pelas verbas públicas disponibilizadas pelo fundo
respectivo, da parte dos Estados, passando a se fazer, em nome disso,
"mais do de sempre". O Ministério da Justiça passa a ser
"simpático" e não efetivo... A SENASP, não apenas na figura do titular,
mas também de seus quadros, foi esvaziada de técnicos, passando a ser,
melancolicamente, mais uma "repartição pública" em sua acepção
mais anacrônica, "mobiliada" com recursos humanos que
mais refletem gostos pessoais do que a importância do conhecimento técnico-acadêmico
quanto aos temas do controle da criminalidade e da violência. Em meio a uma explosão da criminalidade e da
violência e que já coloca o Brasil, segundo recentes estudos da ONU, entre
os cinco países mais violentos da terra, some-se agora, também, questões
internacionais com graves ameaças potenciais à Nação Brasileira. Talvez seja mais que passado o momento do Governo Federal, ao menos, interpretar técnicamente as ações e compromissos expressos no Plano Nacional de Segurança Pública para os executores dos programas expressos em tal documento, orientando políticas públicas claras, democráticas e sujeitas a avaliação permanente, com a gestão das verbas a elas destinadas fomentar podendo ser corrigida e redirecionada sob égide dos métodos, técnicas e processos da moderna gestão científica da coisa pública. |
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