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A
VIOLÊNCIA DA POLÍCIA Rogério
Teixeira Brodbeck
Ao ver e/ou presenciar, ao vivo ou por imagens eletrônicas, ao longo de
minha vida adulta, incontáveis cenas de episódios envolvendo perturbadores
da ordem, protestadores de alguma coisa, estudantes com ações próprias de
sua idade e dessa fase da vida, agricultores com ou sem terra,
caminhoneiros, trabalhadores assalariados e muitas outras classes de
pessoas, de um lado, e policiais, de outro, em que fatalmente há conflito (
luta, combate), fiquei com a impressão conclusiva e definitiva de
que a Polícia, nesses episódios é e sempre será violenta, o que não
quer dizer arbitrária.
Com efeito, aprendemos e praticamos – desde sempre nas academias
policiais – que em casos de grave perturbação da ordem, ao sermos
convocados para atuar como força de dissuasão desses distúrbios seja de
que matizes forem – se de esquerda, de centro ou de direita, ou de que espécie
for, se interrupção de via pública, de desocupação de local invadido,
etc - a primeira providência técnica e tática é a proclamação, seguida
de negociação para passar-se à demonstração de força e só em última
instância o emprego da tropa (que é quando o bicho pega). Claro
está que em determinados tipos de distúrbios – como os que ocorrem antes
ou depois de jogos de futebol, dentro ou fora de estádios – algumas
dessas etapas devem ser suprimidas, com o emprego imediato da força da
tropa para que não haja conseqüências trágica imediatas. Mas isso é a
exceção. A propósito, vejam-se as comemorações dos torcedores
holandeses no meio da semana quando o seu time (Feyenoord) sagrou-se campeão
da Copa da Uefa (imaginem se tivessem perdido) contra o Borussia Dortmund em
que vimos pela tevê que a polícia "entrou com tudo", sob pena de
se ter prejuízos pessoais e materiais muito maiores do que os havidos. Isso
que o jogo tinha sido na Alemanha e as "comemorações" -
que custaram as prisões de quase 200 torcedores - ocorreram em Roterdã.
No caso do conflito entre forças policiais e os "agricultores"
que obstruíam a BR 153, em Erechim (RS), o que houve foi uma resistência
dos ocupantes da rodovia à ordem judicial de desocupação, mesmo após
intensas e exaustivas negociações da parte de policiais rodoviários,
encarregados da missão de fazer cumprir a decisão do magistrado federal.
Ora, nesses casos, esgotadas as tentativas amigáveis de se liberar a via pública
e se restabelecer o direito de ir e vir (assegurado na Constituição
Federal, mas convenientemente ignorado pelos desordeiros e seus políticos
protetores do partido que "nada tem a ver com esses movimentos") só
restou aos responsáveis o emprego da tropa depois da demonstração de força
(marcha em linha, cadenciada).
O que seguiu a isso todos vimos na tevê. Cenas de violência, nesses casos
são absolutamente inevitáveis porque continua havendo resistência mesmo
que passiva o que obriga os executores da medida judicial a adotar
procedimentos e condutas que são violentas, é claro, mas absolutamente
exigíveis e necessárias dentro daquilo que o direito consagrou como
"estrito cumprimento do dever legal". Logo, arranhões, safanões,
puxões, etc são inevitáveis e eventuais excessos correm por conta das
excepcionalidades e levando-se em conta a tensão do momento.
Só quem fica nos gabinetes, quem nunca foi a campo participar de atos como
esse, quem nunca viu um soldado seu ferido, lacerado e ensangüentado, é
que pode ficar insensível e deitar cátedra, criticando as ações
policiais e, num gesto antiético, condenar ações de organizações co-irmãs,
como foi o caso recente em que os "doutos" da Secretaria da Justiça
e Segurança do RS, se referiram à Polícia Rodoviária Federal (PRF),
órgão que sempre foi solidário com a BM e com quem sempre nos ombreamos
nas mais diversas missões levadas a efeito na área da segurança pública. Dizer-se, pois, que a Polícia é violenta não é nenhuma acusação nem nenhum desdouro à Instituição, porque a Polícia é, sim, e sempre será, uma corporação que trabalha com a violência diuturnamente e, ao retirar a liberdade de alguém, por exemplo, já estará agindo com violência. Mas sempre ao abrigo da excludente da criminalidade, dentro dos parâmetros legais, sem abuso e sem arbitrariedade. Aqueles que sempre andaram dentro da lei que o digam. Aos outros, bem, a esses que agüentem no osso... |
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